terça-feira, 12 de abril de 2016

Lula em ato com artistas: “Derrota não quer dizer nada"

O ex-presidente Lula discursa durante ato com artistas e intelectuais no Rio
Folha de S.Paulo
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na noite desta segunda-feira (11) que a derrota da presidente Dilma Rousseff na comissão especial que analisou o pedido de impeachment "não quer dizer nada".
O petista participou de um ato com artistas e intelectuais nos Arcos da Lapa, no centro do Rio. Rouco, ele discursou por cerca de 30 minutos.
"A comissão acabou de derrotar a gente. Mas isso não quer dizer nada. A comissão foi montada pelo [presidente da Câmara, Eduardo] Cunha. É o time dele. A nossa luta vai ser no plenário. Domingo é que temos que ter clareza. Sabemos que temos que conversar com os deputados", disse o petista a um publico de cerca 35 mil pessoas, segundo os organizadores. A Polícia Militar não divulgou estimativa de público.
Apesar do apoio, ele fez críticas ao ajuste fiscal proposto pelo governo Dilma. Segundo Lula, a presidente "aprendeu uma lição".
"É bem verdade que agora a companheira Dilma aprendeu a lição. Ela fez uma proposta de ajuste que nenhum companheiro gostou. Foi feito para atender o mercado. O mercado dela não é o banqueiro, é o povo consumidor", disse Lula.
Em seu discurso, Lula classificou como "golpe" a tentativa de afastar a presidente. O ex-presidente fez referências ao golpe militar de 1964 e listou políticos do PMDB que considera "golpistas".
"Veja quem quer tirar a Dilma. Primeiro: [vice-presidente Michel] Temer; segundo, Eduardo Cunha. Terceiro, Geddel Vieira Lima. Quarto, Henrique Eduardo Alves. Quinto: [Eliseu] Padilha. Sexta, uma pessoa que vocês conhecem muito bem: Moreira Franco, que foi governador desse estado", afirmou o petista.
"Essa gente deveria olhar a minha história. Todas as vezes que perdi eu respeitei o resultado. Eu perdi em 1989, roubado e com a ajuda da TV Globo, e fiquei quieto. Perdi em 1994, na maior aliança de direita do Brasil, e fiquei quieto. Fui lamber minhas feridas e voltei em 2002", disse.
Vestindo uma camisa pólo branca, Lula disse fazer um "esforço muito grande para voltar a ser o Lulinha paz e amor". Ele disse que o "Brasil não pode ser dividido entre aquele que se acham brasileiros porque colocam uma camisa verde amarela, e os bandidos colocam a vermelha".
Apesar do apelo, criticou parte dos manifestantes pró-impeachment que atacaram políticos nas ruas.
"A luta por democracia é uma coisa importante. Vocês percebem que eles negam a política. Eles não gostam de política. Em São Paulo não deixaram nem Alckmin falar. Não deixaram nem o Aécio falar. Sabe quem fala por eles? O democrata Bolsonaro. Foi assim que surgiu o nazismo na Alemanha quando Hitler mandou perseguir os socialistas e os comunistas. Foi assim que nasceu o fascismo na Itália."
"A gente não mede um brasileiro pela camisa, mas pela vergonha que a gente tem na cara e pelo trabalho que a gente faz pelo país. Não tenho vergonha de usar vermelho. Meu sangue é vermelho. Quem tem sangue amarelo é porque está com hepatite. A gente não pode dividir a sociedade do jeito que está. Temos que dar demonstração de paz".
ACENOS
Em alguns momentos, Lula falou em tom de campanha. Fez acenos a reivindicações de movimentos sociais da base do PT.
"Eu sou católico e até conservador em alguns momentos. Eu como marido de dona Marisa, pai de cinco filhos, sou contra o aborto. Como presidente vou tratar como questão de saúde publica"
Ele defendeu também a "democratização dos meios de comunicação".
"Eles [a mídia] não querem mudar. Dizem que são modernos, mas quando fala em regulamentar não querem. Eu não quero regulamentação tipo China ou Cuba. Eu quero tipo Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha. Quero uma regulamentação que a gente possa responder a desfaçatez das mentiras da 'Época', da 'Veja', da 'Isto É' e do Jornal Nacional", disse Lula.

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