quinta-feira, 17 de março de 2016

Lula ia ser preso esta semana

O juiz federal Sérgio Moro, que derrubou, ontem, o sigilo de telefonema entre a presidente Dilma e Lula, gerando um clima de tensão e nervosismo em Brasília, a ponto de a oposição pedir a renúncia da presidente em plenário, havia planejado prender Lula, o chefe do esquema da Petrobras, esta semana. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia disso, porque teve seu telefone monitorado pela Lava-Jato.
Nas interceptações, os investigadores chegaram à conclusão que Lula sabia ou desconfiava que estava sendo monitorado, tendo até mesmo suspeitas da busca e apreensão que aconteceria em seus endereços. Nos grampos existem conversas com diversas autoridades que detêm foro privilegiado e conversas que indicam tentativas de influenciar o Ministério Público e a Justiça, como o STF e a ministra Rosa Weber.
Ministros próximos a Dilma e ao ex-presidente convenceram Lula a aceitar a oferta de Dilma para não ser preso. Ele se encontrou com a presidente no Palácio do Alvorada para discutir as estratégias para impedir o avanço do processo de impeachment contra Dilma. O tema foi abordado rapidamente durante o encontro, mas, mesmo antes de receber um convite de Dilma, Lula negou a intenção. No círculo próximo ao ex-presidente, assumir uma pasta agora seria interpretado como uma confissão de culpa.
A nomeação do petista na Casa Civil dar a ele direito ao foro privilegiado. Com isso, somente poderá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que passaria a supervisionar também as investigações sobre ele — as quais, no momento, estão sob a jurisdição de Moro. Os trabalhos analisam se as empreiteiras favoreceram Lula — por meio do sítio de Atibaia e do tríplex no Guarujá —, o Instituto Lula e a empresa de palestras do ex-presidente, a ILS Palestras.
Sérgio Moro não é bobo e já tinha todas as provas para prender Lula. A troca de e-mails entre um executivo da empreiteira OAS e um dos diretores do Instituto Lula, Paulo Cangussu André, indicam um pagamento por palestra realizada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Chile, em 2013, antes da formalização do contrato.
Responsável pelo repasse de R$ 3,9 milhões para o instituto e para a LILS Palestras, Eventos e Publicações a empreiteira acusada de corrupção na Petrobras é suspeita de ter ocultado propina nos pagamentos feitos ao ex-presidente entre 2011 e 2014. Documentos da Operação Aletheia — 24ª fase da Lava-Jato — que levou Lula coercitivamente para depor, registram a troca de e-mail entre Paulo André, do Instituto Lula, e Dante Fernandes, da OAS, no dia 7 de janeiro de 2014.
Sérgio Moro descobriu que as palestras pagas ao ex-presidente, a partir de 2011, via empresa LILS e os valores doados ao Instituto Lula, teriam ocultado propina desviada da Petrobras. As cinco maiores doadoras do instituto e as cinco maiores pagadoras da LILS são empreiteiras do cartel acusado de corrupção na Petrobras.
Irritado com a operação armada por Lula – a posse na Casa Civil – para escapar da prisão, Sérgio Moro derrubou o sigilo telefônico do ex-presidente. Enquanto a oposição pedia a cabeça de Dilma no Congresso, ministros eram chamados por ela para uma reunião de emergência. Em uma das gravações, Dilma diz a Lula que o enviará o termo de posse (da Casa Civil) para que ele use “em caso de necessidade”.
Os advogados que conduzem a defesa do ex-presidente Lula, Roberto Teixeira e Cristiano Martins, chegaram a afirmar que o juiz Sergio Moro pretende criar uma convulsão no País. "A divulgação desse áudio é uma arbitrariedade, pois ele envolve a presidenta da República, que tem foro privilegiado. O juiz Moro liberou esse áudio quando a competência não era mais da justiça do Paraná num claro intuito de provocar uma convulsão social, algo que não é função do poder judiciário."
Mais cedo, foi publicada a edição extraordinária do “Diário Oficial da União” com a nomeação de Lula na Casa Civil e a criação de um novo ministério, o do Gabinete Pessoal do Presidente da República, que será ocupada pelo ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner. A divulgação do áudio gerou forte repercussão em Brasília. Na Câmara dos Deputados e no Senado, por exemplo, parlamentares da oposição passaram a cobrar a renúncia de Dilma.
Em frente ao Palácio do Planalto, uma manifestação que já ocorria contra a nomeação de Lula na Casa Civil passou a ter a adesão de mais pessoas. A nomeação deu a Lula foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, a investigação sobre ele na Operação Lava Jato sai do alcance do juiz Sérgio Moro e passa para o âmbito do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Em São Paulo, o advogado de Lula classificou a divulgação de áudio como algo “muito grave”, uma “arbitrariedade. Além disso, José Eduardo Cardozo afirmou que, no diálogo telefônico, Dilma não estava dando ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva um documento para livrá-lo de uma eventual ação policial.

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