segunda-feira, 13 de abril de 2015

Professores de Pernambuco entram em greve por tempo indeterminado

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) decretou, na tarde da última sexta (10), greve por tempo indeterminado na rede estadual de ensino. Os professores decidiram cruzar os braços em assembleia tumultuada no Clube Português, nas Graças, Zona Norte do Recife. A categoria, formada por 49.816 profissionais, cobra reajuste de 13,01% nos salários. O governo estadual enviou projeto, aprovado pelos deputados, para pagar o aumento apenas a professores com ensino médio (antigo magistério), o que corresponde a menos de 10% da categoria. A paralisação deve deixar cerca de 650 mil estudantes sem aula. A Secretaria Estadual de Educação foi procurada, mas ainda não se pronunciou sobre o movimento.

Durante a assembleia, os docentes marcaram um novo encontro para 17 de abril e decidiram sair em passeata pelas ruas da região. Eles fecharam um trecho da Avenida Agamenon Magalhães, no sentido Olinda-Recife.

A discussão na assembleia começou por volta das 15h30. A proposta do Sintepe era realizar novas paralisações pontuais nos dias 15, 22 e 29 de abril, com atos públicos em todo estado até o fim do mês. No entanto, durante os discursos, a maior parte dos professores defendeu a deflagração da greve, apoiada por alunos que seguravam cartazes pela valorização dos magistrados.

"A categoria, por ampla maioria, decidiu a greve por tempo indeterminado. Havia uma discussão entre nós sobre o formato da greve, mas a insatisfação é muito grande, porque o governo descumpre a legislação, nega uma prática que vinha sido adotada pelo Estado desde 2011. Temos atividades até quinta [16] e, na sexta [17], teremos nossa assembleia para definir os rumos do movimento", explicou o presidente do Sintepe, Fernando Melo.

Ele acrescentou que a primeira paralisação de 48 horas, ocorrida nos dias 24 e 25 de março, teve adesão de 90%. Na segunda paralisação pontual, realizada na quarta (8) e na quinta (9) dessa semana, a adesão foi de 70%.

Através de nota, o Governo do Estado "reafirma o compromisso de pagar o piso salarial dos professores, com a aprovação da Lei 15.465 de 08 de abril de 2015, conforme determinação do Ministério da Educação (MEC)".

O texto do executivo ressalta ainda que o cumprimento do piso nacional é retroativo a janeiro e que o governo segue negociando com o Sintepe para estabelecer percentual reajuste para os professores com nível superior "e que será aplicado a todos os níveis da carreira".

Por fim, a nota oficial do governo critica a decisão da greve e diz que o Sintepe rompeu o diálogo, prejudicando o ano letivo. "Diante desse fato, o Governo de Pernambuco manifesta intenção de continuar negociando, porém não haverá negociação até que haja suspensão da paralisação e consequente retorno ao trabalho", finaliza.
 
Informações do G1/PE

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