quarta-feira, 15 de abril de 2015

PRIMEIRO DESSALINIZADOR MOVIDO A ENERGIA SOLAR DA AMÉRICA LATINA COMEÇA A FUNCIONAR EM PERNAMBUCO

Instalado em Riacho das Almas, equipamento irá beneficiar 60 famílias e fomentar o desenvolvimento da piscicultura na localidade, a partir de uma parceria entre SDEC e Prefeitura.


O primeiro dessalinizador solar coletivo da América Latina começou a funcionar em Pernambuco no último sábado (11). Instalado no Sítio Camorim II, no município de Riacho das Almas, Agreste Central de Pernambuco, o equipamento retira o excesso de sais das águas captadas em poços tubulares profundos, tornando-as apropriadas para o consumo humano, beneficiando 300 pessoas do distrito, com potencial de dobrar o número de beneficiários a partir do acesso de famílias do entorno. Toda a operação de tratamento (de 600 litros por hora) será realizada por meio de energia solar, captada por placas fotovoltaicas conectadas ao equipamento. 

E através de uma parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDEC), por meio da Secretaria Executiva de Recursos Hídricos, e a Prefeitura de Riacho das Almas será desenvolvida a atividade de piscicultura, utilizando a chamada água residual da dessalinização. O teor de sais encontrado nos rejeitos do processo é propício para criação de tilápias. Serão escavados um total de seis tanques em áreas próximas ao dessalinizador, que serão cobertos por uma lona para receberem o pescado. 

O primeiro tanque já está pronto e começou a funcionar. Incentivada pela Secretaria Executiva de Recursos Hídricos da SDEC, a Prefeitura de Riacho das Almas planeja ainda instalar uma pequena unidade de beneficiamento no local, para filetamento, congelamento e embalagem, e assim agregar mais valor à produção. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Thiago Norões, lembra que nas discussões do seminário Todos por Pernambuco, especialmente no Agreste, o maior pedido é o abastecimento de água. “Temos que encontrar soluções que amenizem o sofrimento da população, diminuindo essa carência. 


A solução mais imediata é a perfuração de poços artesianos, mas onde há água, muitas vezes não tem energia elétrica. E onde é possível perfurar, a água é salobra, exigindo o dessalinizador. Por isso a importância de se investir em um equipamento deste tipo, primeiro da América Latina, que funciona com energia solar. Assim, é possível levar água para os lugares mais distantes e de forma totalmente sustentável”, explica. O secretário executivo de Recursos Hídricos, Almir Cirilo, destaca também que a opção pela energia solar é mais barata. O custo de todo o sistema fotovoltaico gira em torno de R$ 40 mil, enquanto que a estruturação de uma rede de eletrificação rural, que normalmente exige linhas de alimentação de três quilômetros, representa um aporte de R$ 60 mil. 

Em média, apenas os equipamentos de dessalinização são fruto de um investimento de R$ 78 mil. “E sempre que o poço tem capacidade grande, incentivamos as prefeituras a instalarem sistemas simplificados de abastecimento canalizado para a população próxima. Além de estimularmos o desenvolvimento da piscicultura. Em localidades do Sertão, onde temos dessalinizadores funcionando, temos registrado a retirada de até uma tonelada de peixe. 

Com um trabalho de capacitação profissional é possível diversificar ainda mais a produção, realizando o aproveitamento do couro da tilápia, por exemplo, para confecção de carteiras, bijuterias e bolsas”, explica Almir Cirilo. Os 12 mil litros de água por hora que são fornecidos pelos poço do Sítio Camorim, possuem um teor de sais de 16 mil miligramas por litro. É uma taxa muito alta, equivalente à metade da água do mar. Com o processo de dessalinização, ela se torna potável, com a eliminação de 95% dos sais, atingindo os níveis indicados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O sistema é composto ainda por dois reservatório de 5.000 litros cada. 

Um armazena a água recém-captada e o outro estoca o produto devidamente tratado e pronto para o consumo. A água é distribuída por meio de um chafariz eletrônico. O dessalinizador não utiliza baterias e é completamente automatizado – capta energia do sol e, imediatamente, começa a funcionar. A população beneficiada recebe fichas que garantem o fornecimento de 20 litros para cada família, possibilitando assim um controle do consumo e evitando desperdícios. 

O sistema faz parte dos 201 dessalinizadores instalados pela Secretaria Executiva de Recursos Hídricos da SDEC no Estado. Representam, além do ganho social com o abastecimento regular de água, um impacto econômico positivo por meio da redução do uso de carros pipas pelas comunidades, bem como através da melhoria da saúde pela ingestão de água de boa procedência.

Assessoria de Comunicação / SDEC

Nenhum comentário:

Postar um comentário