sábado, 7 de março de 2015

Pra não dizer que não falei de flores (parte II)

*Por Dr. Paulo Lima


Para quem não leu o artigo escrito semana que passou, esclareço que estou escrevendo sobre a morte de nossas matas, aqui na Serra da Taquara e da sua principal cultura, o café orgânico. A serra está morrendo e quem irá lhe socorrer?

Eu não sei ao certo, se este fato triste, a seca, vivenciada em nossa região, está provocando esta tragédia anunciada; se ela é mais uma conseqüência da irresponsabilidade e da ganância das pessoas, ou se tudo isto é uma conjugação de fatores. Ficam as indagações, para uma reflexão… E como se não fosse o bastante, em razão da seca, estão transformando a nossa serra numa verdadeira “tábua de pirulitos”, tal a quantidade de poços que estão sendo perfurados e que se multiplicam diuturnamente, extraindo a água, ou o pouco dela que ainda nos resta, das entranhas de nossa serra, com prejuízo para as nossas matas, outra grande riqueza que está desaparecendo a olhos vistos. E ninguém faz nada para impedir. O que pensam, todos, afinal?

Alguém, que não me recordo o nome no momento, me falou há tempos atrás, que a água de nossa serra decorre de grandes bolsões existentes entre as rochas, que foram acumulando e enchendo aos poucos, ao longo dos anos, por conta das chuvas, abundantes em tempos atrás. Ora, assim sendo, resta evidente, que, de onde se tira e não se repõe o resultado é um só: o vazio! Dia desses outro amigo, GENIVALDO ARNÓBIO, agricultor e proprietário de um pequeno sítio, aqui em Taquaritinga do Norte, pessoa a quem prezo bastante e que está sendo deveras injustiçada, coitado, pois ate o momento não obteve a sua tão sonhada aposentadoria por idade, devida ao trabalhador rural, me contou que no ano que passou, por não ter nenhuma condição financeira para colher o café, ali produzido e por conta, também do baixo preço do produto no mercado, sujeitou-se a colher o mesmo a troco das diárias obtidas dessa colheita, entregando os grãos ao interessado em troca das mesmas, o que é deveras lamentável. Tivesse ele um incentivo, certamente não teria entregue o seu produto a troco de diárias, pagas mediante o suor do seu rosto…

Mas, como dito em linhas pretéritas, tudo isto decorre de uma conjugação de fatores, os mais diversos, que vão desde a falta de esclarecimento das pessoas, do ganho fácil com a venda da água, da indiferenças de nossos órgãos públicos, tanto a nível do executivo – IBAMA, CPRH e Poder Executivo Municipal – como também a nível do Poder Judiciário ou, mais propriamente, do Ministério Público, que, salvo engano até o momento pouco ou nada fez para tentar dar uma basta a esse estado de coisas, valendo salientar, que, dentre às relevantes atribuições constitucionais que foram delegadas a esse importante Órgão Ministerial, responsável em grande parte pela preservação do estado de direito democrático, está, também e principalmente, a defesa intransigente do meio ambiente, nos termos do inciso III do art. 129 da vigente Constituição Federal.

O fato é que, a indiferença, no mais das vezes, pode levar a morte e a nossa serra está morrendo. É uma pena…

*DR. PAULO ROBERTO DE LIMA é graduado em Filosofia pela Universidade Católica, bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Recife e atualmente exerce o cargo de Procurador Federal.

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