domingo, 23 de novembro de 2014

O maior espetáculo da Terra

Carlos Brickmann

É desagradável dizer isso, caro leitor. Mas aqui avacalharam até a corrupção.

Grandes empresários presos, desvios que podem alcançar R$ 24 bilhões só num caso, revelações diárias. Mas os R$ 24 bilhões talvez sejam R$ 21 bilhões, mas as revelações nem sempre são verdadeiras. Um diretor da Petrobras, José Carlos Cosenza, apontado pela Polícia Federal por envolvimento em irregularidades, não tinha nada com isso (a própria Polícia Federal reconheceu o erro). Duro foi engolir a explicação: confusão de nomes. Claro, há mais Cosenzas do que qualquer outro sobrenome neste país. E, mais ainda, o tal irmão do governador goiano Marconi Perillo não é irmão dele - talvez seja parente, daqueles bem distantes, e nem disso há certeza. Mas o que saiu no jornal, com aval de autoridades, é que o irmão do governador tem que depor sobre algum malfeito.

Dizem que o excesso de serviço é o culpado dos erros. Ótimo: é só distribuir essa explicação, um por um, a todos que leram, ouviram, viram a notícia errada que prejudica a reputação de uma pessoa. Mas coisas esquisitas não acontecem só do lado ruim para os presos.


Na CPI que investiga o Petrolão, 12 dos 32 deputados receberam doações das empresas envolvidas no caso. Talvez algum dos 12 aceite pagar com ingratidão a quem sempre lhe deu a mão, mas este colunista não conhece este senhor. É mais fácil acreditar que, na CPI, basta aos investigados convencer mais quatro parlamentares para sair limpinhos, talvez com o braço erguido, punho cerrado, gritando 'empreiteiro, guerreiro, do povo brasileiro'.

É desagradável dizer isso, caro leitor. Mas aqui avacalharam até a corrupção.

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